Ao Mestre Rubens, muito Obrigado!

O Coroa é Pop

Há pouco mais de dez dias, em 19 de junho, perdemos Rubens Ewald Filho, o Sr. Oscar. Crítico de cinema, durante anos foi referência quanto a conhecimento e opinião de vários e vários filmes – o segundo o próprio, ele assistiu em torno de 37 mil longas. Na hoje dita antiga mídia, como jornais, revistas e TV, foi formador de opinião de muitos espectadores de cinema, sejam eles apenas os esporádicos, sejam esses os mais assíduos.

Muito do que sei de cinema e Oscar atualmente devo a ele e a outros, como Ana Maria Bahiana, Roberto Sadovski e Isabela Boscov, por exemplo. Rubens Ewald se destacara pela profundidade de conhecimentos de filmes considerado clássicos e da história da Academia. Além do Oscar, também era especialista nas outras principais premiações de cinema de séries de TV, como o Globo de Ouro, Critics Choice Awards, BAFTA, Festival de Cannes, de Berlim, e tantos outros. Ele também foi uma importante referência aos principais festivais do cinema nacional, entre esses, o do Festival de Gramado, do qual era curador.

Jornalista de formação, trabalhou em rádio, TV e mídia impressa, com passagens na Jovem Pan, revista Veja, Folha de S.Paulo, Rede Globo, SBT, Grupo Record (portal R7 e Record News), RedeTV!, TV Cultura (onde começou a carreira), HBO, Telecine e TNT, onde comandou o programa TNT+Filme e as entregas do Globo de Ouro e do Oscar até 2018. Tinha o conhecimento sobre a premiação como poucos. Quando era apresentado o quadro in memorian, homenageando os artistas e demais figuras ligadas ao cinema que faleceram, os citava um por um, com raros momentos em que deixava passar batido. Para muitos, a melhor fase dele foi no SBT, quando dividia  a transmissão com Marília Gabriela, em meados anos 90. O bate-bola entre ele e Marília era um show de conhecimento e informação, além de ter sido lá no SBT a última emissora em rede aberta a transmitir a cerimônia com Tapete Vermelho e pós-show, com comentários sobre os vencedores.

Seus guias impressos anuais foram tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a Sétima Arte. Como citado anteriormente, assistiu a mais de 37 mil filmes, entre longas e curta-metragens – ele conseguia a proeza de assistir dois filmes ao mesmo tempo, de gêneros diferentes, em casa. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Anotava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações (prática essa bem parecida com a desse colunista que vos escreve). E não atuou apenas no cinema. Foi diretor teatral, ator e secretário de cultura de Paulínia – também contribuiu e apresentou o Festival de cinema da mesma cidade, um dos mais importantes do país.

Foram anos que acompanhei a cerimônia do Oscar no SBT e na TNT Brasil com a sua voz. Mesmo com muitas opiniões sinceras e controversas, era a maior referência em crítica cinematográfica no país. A lacuna que deixou é imensa. Dificilmente há e haverá um outro crítico como Rubens. Além de grande analista de cinema, era um gentleman. Sempre foi acessível; me lembro bem quando troquei com ele recados e ideias na época do Orkut. E olhe que ele tinha vários perfis, pois era constantemente adicionado. Tratava o velho crítico de jornal e o novo blogueiro com a mesma atenção, consideração e generosidade.

Mesmo tardiamente, te digo Sr. Oscar: muito obrigado!

Everaldo Lima Jr. (Coroa Pop)

Professor de História, Guia de Turismo e um Nerdão das Antigas!

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