Crítica | X-Men: Fênix Negra

Em início da década de 2000, se deu a partida numa nova era de adaptações cinematográficas dos quadrinhos. Após anos com os focos centralizados nos heróis da DC Comics, como Superman e Batman, gênero andava bem em baixa, devido ao fraco desempenho das continuações de filmes desses heróis – logo esses, os mais populares. Mas quem acompanha a Nona Arte sabe que as HQ’s não se resumem apenas aos líderes da Liga da Justiça: Muito se ansiava por novas versões de outros grandes grupos de heróis, como os da Marvel, para ter cada vez mais opções para a comunidade nerd/cinéfila poder contemplar seus ídolos gráficos na telona. E tudo começou com Marvel em sua parceria com a Fox, a lançar o primeiro filme dos X-Men.

Ao longo de vinte anos, a parceria Fox/Marvel iniciou a dita primeira parte da Era dos filmes de super-heróis, com os primeiros filmes dos mutantes, simultaneamente em que a Sony lançava a primeira geração de filmes do Homem-Aranha. Numa época pré-Vingadores, os X-Men eram os que levavam multidões de fãs às salas de cinema, sobretudo os aficionados em HQ’s, ávidos em ver os confrontos dos mutantes liderados por Prof. Charles Xavier (James McAvoy), a Irmandade Mutante, liderada por Eric Lenscher, ou Magneto (Michael Fassbender), e a raça humana, por meio de seus líderes governantes, que nunca viram os mutantes com bons olhos – isso sem citar o equivocadamente ignorado Círculo Interno Clube do Inferno, liderado por Sebastien Shaw, o Rei Negro, e Emma Frost, a Rainha Branca.

X-Men: Fênix Negra (X-Men: Dark Phoenix, 2019) encerra uma trajetória de onze filmes a longo de quase duas décadas, incluindo os solo de Wolverine e Deadpool, esse último sucesso de crítica público bem superiores a alguns episódios dos mutantes, como O Confronto Final e Primeira Classe. Ainda tendo que lidar com os problemas das idades e dos altos cachês do elenco, a Fox fez uma boa sacada com Dias do Futuro Esquecido, quando cruzou as duas gerações de atores para uma espécie de passagem de bastão. Após o desempenho ruim em X-Men: Apocalipse, Fênix Negra chegou para encerrar a era dos mutantes da Fox, já que após a aquisição pela Disney, a Marvel Studios vai reiniciar a franquia. Devido a isso, certa expectativa foi criada – embora não devesse.

Devido ao histórico irregular de roteiros anteriores e a cronologia confusa da saga, não se pode exigir muito de Fênix Negra. O enredo, resgatado de O Confronto Final, poderia tentar “consertar” muitos dos erros que o terceiro filme de 2006 cometeu. Porém, em vez disso, acabou cometendo outros, até inexplicáveis. Por exemplo, em apenas um momento se identifica quem são os alienígenas que vieram atrás da entidade cósmica que se apossou de Jean Grey (Sophie Turner). A vilã Vuk (Jéssica Chastain), tem seu nome pouquíssimo citado, o que dificulta estabelecer uma relação ou ligação dela com Jean.

O espectador mais atento vai até questionar o papel de vilã de Chastain, visto que esta não consegue ser um antagonista interessante, que faça um contraponto de peso. Quem conhece a fundo os quadrinhos, sabe: Jean Grey é bem mais poderosa, perigosa e vilanesca quando é apossada pela entidade Fênix. O conflito interno de Jean poderia ter sido melhor trabalhado, mas se resumiu a apenas uma menina confusa, que ainda tem contas a acertar com o passado e está sendo manipulada por um alien de que não sabe a procedência.

Em contrapartida, os confrontos entre os mutantes são de boa plasticidade e bons efeitos, que contribuiu para contrabalancear o roteiro capenga e arrastado. O diretor Simon Kinberg não pôde entregar resultado melhor – o longa passou por refilmagens, problemas durante a produção e adiamento de lançamento. Mas não se pode considerar um desastre. Fênix Negra encerra um ciclo importante do o gênero de super-heróis no cinema, do qual os X-Men estão eternizados.

Nota da crítica: 3 Peixeiras de Luz (É massa)

Everaldo Lima Jr. (Coroa Pop)

Professor de História, Guia de Turismo e um Nerdão das Antigas!

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