Crítica | Rocketman

And I think it’s gonna be a long long time
‘Till touch down brings me round again to find
I’m not the man they think I am at home
Oh no no no I’m a rocket man
Rocketman… burning out his fuse up here alone

Quando tratamos de ícones do showbizz e da música pop do século XX, há diversos nomes, embora ainda contemos nos dedos – Madonna, Michael Jackson, Prince, George Michael, Freddie Mercury, Elton John. Dotados de um talento e carisma incomuns e peculiares, esses artistas se destacam pela sua genialidade e excentricidade. Rocketman (2019), de Dexter Fletcher, é um bom exemplo do quanto tais características se sobressaem desses artistas.

Reginald Kenneth Dwight, ou Elton Hercules John (Taron Egerton), é um dos maiores cantores britânicos do século XX. Autodidata, aprendeu a tocar cedo piano e ter uma facilidade absurda de melodiar versos e letras. Através da música e de sua avó Ivy, encontrou seu refúgio em meio a uma família em a palavra carinho não existia no dicionário. Um dos fios condutores de Rocketman é a difícil relação de Elton com seus pais. Com um pai que em nenhum momento demonstrou afeição e uma mãe de personalidade fútil, Elton cresceu cada vez mais ligado à música, de quando começou a trabalhar em bandas de apoio para grupos de jazz até conhecer Bernie Taupin (Jamie Bell), seu amigo e parceiro de composições.

De forma fluída, o longa mostra naturalmente a progressão e evolução de Elton John enquanto cantor e performer, ao mesmo tempo em que exibe todo estilo hardcore em que viveu, regado a muita bebida e drogas. O cantor, que é o produtor-executivo do filme, fez questão que não houvesse nenhum corte a respeito de suas polêmicas, principalmente sobre sua sexualidade. E o que temos é uma obra bastante fiel à sua trajetória.

Apesar de ser um musical, os diálogos conseguem destaque, sobretudo nas cenas mais dramáticas. As transições das cenas musicais são eficientes ao envolver o espectador com as mesmas, dando novos olhares a performances e momentos felizes e tristes da vida de Elton. Taron Egerton tem uma atuação esplendorosa – além de caracterizar fielmente o cantor, elogiosamente cantou e interpretou todas as canções. Orientado de perto pelo próprio cantor, nos entregou um Elton John visceral, que teve bem explicitado seus sofrimentos e decepções ao passo que ia conquistando cada vez mais espaço e sucesso.

Explicitada também foi a sexualidade de Elton, já conhecida, mas não em detalhes ao grande público. Sua complicada relação com o empresário John Reid (Richard Madden) é bem explorada, mostrando o quanto essa foi um fator importante para que Elton chegasse rapidinho ao fundo do poço, em meados anos 80. A homossexualidade de Elton é retratada sem ser desnecessariamente discreta, dando uma maior autenticidade ao conjunto da trama. Apesar de assumir publicamente somente no início da década de 90, quando finalmente iniciou o tratamento para os vícios em álcool em cocaína, o longa mostra sua sexualidade desde o início de sua descoberta.

Com uma fotografia que transpassa toda a vivacidade e psicodelismo do brilho e colorido nos shows, Rocketman possui uma sucessão de sequências de fantasia musical que não apenas permitem o real envolvimento emocional com o protagonista, mas com todo o conjunto de cena. É um filme que opera numa escala mais grandiosa do que uma cinebiografia padrão. O diretor Fletcher fez um musical chamativo e ambicioso, digno da arte gloriosa de Sir Elton. Sem dúvidas, um deleite para o fã do artista.

Nota da crítica: 5 peixeiras de Luz (É Arretado!)

Bônus track:

Rocketman, versão interpretada por Taron Egerton

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