Crítica | O Sol também é uma Estrela

Tudo que temos é um único dia.

“O que esse país significa a você?” Essa pergunta é feita a muitos imigrantes que tentam uma vida melhor nos Estados Unidos, para se perceber qual o seu de pertencimento àquele lugar. Essa pergunta é feita à Natasha (Yara Shahidi, do seriado Black-ish), uma jovem de origem jamaicana, mas que cresceu nos EUA, e que vive o dilema de sua família ir embora para não ser deportada. Não aceitando a situação, Tasha tenta todas os viés para reverter a situação, que se desenha numa situação desfavorável. Numa outra ponta, temos Daniel (Charles Melton, de Riverdale), também filho imigrantes, no caso coreanos, que moram há anos na América e que depositam nele o futuro próspero da família, sendo o primeiro da geração mais recente a ter uma graduação, mas precisamente, a de medicina.

Em meio ao encontro inusitado entre Natasha e Daniel que se desenvolve a trama de O Sol Também é uma Estrela (The Sun is Also a Star, 2019). Baseado no best-seller de mesmo nome, de autoria de Nicola Yoon, o longa trata vários elementos que transitam entre a crença absoluta e descrença total, como do que é realmente o destino, e de como os caminhos se desenham por meio dele. Por ser apaixonada por ciência, Tasha é uma pessoa extremamente pragmática, que apenas crê em fatos comprovados pela ciência – daí por tabela, descrente em destino. Já Daniel, é um amante das artes literárias e da música, um poeta nato, que crê em ideais românticos e se deixa se envolver melhor com os próprios sentimentos. Sentimentos esses, que para Natasha, são ilusórios. Esse confronto de ideias vão envolvendo os protagonistas, que possuem apenas um dia para definirem seus futuros.

Entre os pontos positivos de O Sol…, a destacar a representatividade. Temos um casal de protagonistas com novos padrões – um asiático e uma negra -, diferente daquilo tão conhecido e difundido durante décadas em romances. O contraste cultural é posto de lado – o contraste de ideias entre Tasha e Daniel é mais centrado, naquilo em que os eles anseiam para suas vidas após os ultimatos em que cada um passa. A química entre Melton e Shahidi funciona; à proporção em que o prazo que Tasha acordou com Daniel para que a conquiste vai se esgotando, você torce inevitavelmente para que ele consiga o objetivo. Mas as circunstâncias da vida (ah, a vida…) acabam interferindo, e pondo em dúvida se eles conseguirão finalmente ficar juntos ou não.

Tanto a obra literária quanto o longa, mostram que, por mais que se tente dominar o próprio destino a seu favor, você não pode de fato controlá-lo. Natasha muito cita referências à Astronomia, como base de suas ideias e de como as coisas simplesmente iniciam e terminam.

Que o acaso determina muitas vezes nossos caminhos, mesmo não sendo aquilo que planejávamos – e que o resultado, nem sempre é o que esperávamos. As coisas simplesmente acontecem. Não se escolhe se apaixonar por alguem, seja quem for. Mas pode se escolher se deve arriscar aquele dia, aquela hora, aquele momento crucial com aquela pessoa do qual inesperadamente te despertou os sentimentos mais nobres. E as consequências de tudo disso? Bom, que se as arquemos e as enfrentemos. Afinal de contas, para tal oportunidade decisiva, tudo o que temos é um único dia.

Nota da crítica: 4 peixeiras de Luz (É Porreta!)

Bônus track – canção-tema do Filme

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