Crítica | ‘O Mundo Sombrio de Sabrina- Parte 2’

Reviravolta é a palavra que melhor define a 2ª Temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina. Após um primeiro ano cheio de descobertas, Sabrina Spellman retorna em uma nova versão, após ter assinado o Livro das Trevas a jovem bruxa ganha um ar mais adulto e mais perverso. Além da mudança no seu modo de vestir, abandonando seu típico visual com cores vermelhas e assumindo o preto básico, ela se afasta de sua metade humana e investe na educação como bruxa. Ficando mais decidida sobre o seus reais objetivos na Academiadas Artes Ocultas.

Nessa temporada as pontas soltas e arcos narrativos deixadas em aberto pela temporada de estreia, que se preocupou em apresentar os personagens e a mitologia da série, são amarrados com acontecimentos bastantes inesperados, influenciados diretamente pela “jornada do herói”. Nos últimos episódios a jovem Spellman conta com o auxílio dos seus três amigos humanos – que ganham mais espaço- e se tornam essenciais  no desfecho do problema central da  temporada. Esse lugar de importância dado aos coadjuvantes da a segunda temporada um ar mais sólido, abrindo assim muitas possibilidades para o futuro.

Se antes os feitiços de Sabrina apareciam pontualmente e estavam em fase inicial, agora ela faz encantamentos para trocar de roupa, ajudar os amigos, criar uma sósia má e derrotar caçadores de bruxa celestiais. Além de passar por uma ressurreição e cumprir uma profecia apocalíptica (mesmo que involuntariamente). Isso tudo de forma um pouco impulsiva e sem exatamente pensar nas consequências, como é de se esperar de uma adolescente de 16 anos.

Embora romance seja um traço forte na história, o triangulo amoroso entre os personagens Nicholas (Gavin Leatherwood), Harvey (Ross Lynch) e Sabrina (Kiernan Shiepka) não ganha tanto foco. Apesar de em alguns momentos a bruxa se ver balançada por seus antigos sentimentos pelo não bruxo, ela passa a ver em Nick o parceiro ideal para as novas descobertas e aventuras mágicas. Inclusive aceitando e apoiando o romance que se inicia entre seu antigo namorado e uma de suas melhores amigas, Roz (Jaz Sinclair).

O discurso socio-ideológico é algo presente nessa nova fase, destacando a temática de transição de gênero, através da personagem Susie Putman (Lachlan Watson) – que inclusive é um dos mais jovens atores não-binários de Hollywood –  que inica o processo de autoaceitação e descoberta como um homem transexual. Além de mudar seu nome para Theo, Susie muda seu visual ao longo da jornada.

Toda a liberdade existente na Escola da Noite, na verdade é carregada de sexismo, conservadorismo e machismo. Principalmente através da figura do Padre Blackwood (Richard Coyle), que deixa claro que não gosta dos questionamentos de Sabrina, e vê na garota um potencial perigo; pois a adolescente passa a lutar por políticas igualitárias. O paralelo com um relacionamento abusivo é feito quando Zelda Spellman, uma das maiores devotas de Satã, passa a ser uma mulher sem personalidade e pronta para agradar ao homem de todas as formas. Ao ser enfeitiçada pelo Sacerdote Blackwood, ela tem seus direitos de escolha tirados.

Predomina na série o ar sombrio, que se aproxima de uma atmosfera de terror, dando a trama um nível mais adulto. Expandindo o universo das Bruxas e criaturas mágicas e elementos religiosos, como cartomante e leitura de tarô,  Matusalém, Adão, Lilith e até a versão angelical do Senhor das Trevas, como Lúcifer – a estrela da manhã. O Mundo Sombrio de Sabrina ainda apresenta o personagem de Dorian Grey e traz um número musical com a canção “Masquerade“, de O Fantasma da Ópera.

Em resumo, todos os personagens são forçados a tomarem difíceis decisões nestes nove episódios da nova temporada de Chilling Adventures of Sabrina. Deixando como reflexão que deixar a raiva ou a esperança ditarem suas as decisões, levam as consequências, boas ou más.

Nota da crítica: 4 Peixeiras de Luz  (É porreta) !

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