Crítica | Detetive Pikachu

Um das várias animações que marcaram uma geração recente e que se esperava com uma certa ânsia por sua adaptação cinematográfica é a franquia Pokemon. Quem acompanhou o anime nos Anos 90, já debateu em alguma roda nerd de como seria uma live-action dos queridos monstrinhos que evoluem. Muito falávamos de como seriam as famosas batalhas Pokémon, muito frequentes em seus episódios. Contudo, essa oportunidade vem justo num outro contexto, numa adaptação de um game, Detetive Pikachu (Pokémon: Detective Pikachu, 2019). O que já faz que aquela expectativa que ficou guardada durante um tempo (anos!) mude um pouco de medição.

Como é baseado no jogo da Nintendo, há muita coisa diferente relacionado com o seriado. De início, temos um Pikachu falante – na versão original, dublado por Ryan Reynolds -, coisa que a grande maioria dos fãs que mal conhecem o game não estão acostumados. Segundo, o Meowth, membro da equipe Rocket, um dos pokémons mais poderosos e vilões da franquia, é exibido com uma postura diferente. Por outro lado, boa parte de conhecidos pokémons aparecem, como o Mr. Mine, Bubbasaur e Psyduck, e suas composições gráficas são muito boas. Nos fóruns nerds, há alguns anos, muito se especulava como seria os efeitos especiais e as criações gráficas dos monstrinhos – e o resultado de Detetive Pikachu, nesse quesito, é satisfatório.

Contudo, Detetive Pikachu comete o erro de comum de muitas adaptações de games e animes para o live-action – o desleixo com o roteiro. A descaracterização de personagens importantes, mesmo tentando ser explicada, é feita de forma muito solta, o que acaba causando uma certa confusão na compreensão do mesmo. O longa-metragem insiste em carregar uma seriedade para o protagonista, rejeitando muitos dos traços de personalidade do Pikachu. O que mais importa é o drama carregado que mora no seu passado recente, sempre apresentado em cenas burocráticas de flashback. O que parte de uma investigação no início, logo se transforma em uma ação genérica, para então culminar em uma cena mais emotiva. Não há unidade – não que a obra precisasse ter camadas, mas que então não se arriscasse a priorizar algo tratado de maneira tão inconstante e muito previsível.

Em todo o seu conjunto, Detetive Pikachu funciona como um bom passatempo, uma boa opção para se ver em família. Embora mais contemple uma geração de fãs recente, mais conectada a outras plataformas do seriado, é um bom passo inicial para futuras adaptações live-action dos monstrinhos.

Nota da crítica: 3 Peixeiras de Luz (É massa)

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