Crítica | Vingadores: Ultimato

Alguns superam. Nós, não.

Quando ocorre um evento ruim de grandes proporções que nos mexe profundamente, normalmente se entra na tão famosa bad pesada por um tempo, e daí vai se acostumando até finalmente conseguir lidar com a mesma. Claro, varia de cada um, e cada um reage de uma maneira diversa. Muitos se reclusam e lidam com essa dor até que diminua, outros vão retomando daquilo que vos resta e seguindo adiante, e outros simplesmente mudam, se transformam em algo daquilo que jamais imaginariam ser. Agora pensem em tudo isso acontecendo com bilhões de pessoas no mundo inteiro, duma vez, ao presenciarem entes queridos desaparecendo, virando pó bem na sua frente. Pois é… Era num cenário como esse em que a Terra e sua população se encontrou após o famoso estalo fatal do titã Thanos.

Desolação. Desnorteamento. É neste cenário que Vingadores: Ultimato retoma logo após os eventos de Guerra Infinita. Completamente destroçados, o que restou dos Vingadores tenta se recompor mais uma vez, só que numa situação muitíssimo pior e desfavorável do que sua outrora derrota em Era de Ultron. Eles precisam de, além de fazer o difícil levantamento dos desaparecidos, tentar arranjar uma maneira de reencontrar Thanos e ter a já sedenta revanche – mesmo que, teoricamente, não trará os desaparecidos de volta -, e tentar superar.

Ultimato poderia somente trabalhar em sua narrativa em torno desse acerto de contas. Contudo, é muito mais do que isso – é um fechamento do que ocorreu durante a Saga do Infinito, ao longo desses mais de dez anos, dividida em 3 partes. Tal Saga é responsável por uma das épocas mais importantes da história da adaptação dos quadrinhos para o cinema, que contribuiu para aquisição de toda uma nova geração de fãs, consolidando e fortalecendo o iconismo de muitos personagens clássicos da Marvel, e de outros que historicamente eram renegados a coadjuvantes e que finalmente se tornaram melhor (re)conhecidos após o lançamento de seus próprios longas.

O enredo é centrado na maioria dos Vingadores originais, que por sorte (ou será destino?) sobreviveram ao estalo da manopla. Desses, é ainda mais centrado nos dois mais importantes: Homem de Ferro/Tony Stark e Steve Rogers/Capitão América. Sem se falarem desde o desfecho de Capitão América: Guerra Civil, eles precisam acertar as diferenças para tentar o plano de reação contra Thanos – afinal, eles foram os que mais sentiram as consequencias do genocídio do Titã, além de Thor (esse seguramente, o maior atingido).

Capitão, à sua esquerda!
Foto: Divulgação/Marvel Studios

Altamente carregado emocionalmente, há muitos momentos em que as lágrimas são imparáveis. Por outro lado, as cenas de ação e de luta são arrebatadoras, impactantes e extratoras de fôlegos. Grande mérito dos irmãos Antony e Joe Russo, que mostraram a que vieram em Capitão América: O Soldado Invernal e aumentaram consideravelmente o sarrafo em Guerra Infinita e Ultimato. A diferença em relação aos primeiros filmes d’Os Vingadores chega a ser gritante. Até mesmo influenciaram na maturidade dos principais personagens como Rogers e Stark. Chris Evans e Robert Downey Jr também contribuíram enormemente nesse processo, chegando a transformar características originais dos personagens. Downey Jr conseguiu a proeza de mudar a imagem de um dos heróis mais antipatizados pelos fãs de HQ. O que contribuiu para colocá-lo num panteão muito seleto onde pouquíssimos chegaram: ser eternizado na pele de um super-herói.

Como a espinha dorsal da Saga do Infinito muito se passou com Stark, Rogers e Thor, muita referência a seus filmes anteriores saltam da tela, satisfazendo o mais fiel fã da UCM – além de ter muita referência aos quadrinhos clássicos, muito alegrando os fãs da Nona Arte. Há discordância sobre considerações de que a trama é arrastada em alguns arcos – os mais de 180 minutos de projeção passam rapidinho. Também há discordância e frustração (com razão) relativo ao desenvolvimento dado a alguns personagens, completamente diferente da expectativa levantada, e que vai inflamar os fóruns nerds. Mas esse detalhe de forma alguma compromete o conjunto de Ultimato: o capítulo final da Saga do Infinito é uma obra-prima. Uma emocionante homenagem que a Marvel presta a bilhões de fãs que contemplaram fielmente seus filmes ao longo dessa década.

PS 1: Como é o capítulo final, não há cenas pós-créditos

PS 2: Don’t spoil the Endgame!!! (Ei, doido, não dê spoiler, não!!!)

Nota da crítica: 5 Peixeiras de Luz (É Arretado!)

Everaldo Lima Jr. (Coroa Pop)

Professor de História, Guia de Turismo e um Nerdão das Antigas!

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