Crítica | Shazam!

Em meio a um mundo sombrio do qual caracterizou durante um longo período o Universo Cinematográfico da DC, eis que surge um clarão no céu: é Shazam!, um dos mais esperados filmes inspirados nas HQ’s de super-heróis, que finalmente chega aos cinemas nesta quinta (4). Primeiramente chamado de Capitão Marvel (é isso mesmo que você leu. O Capital Marvel da Marvel era conhecido como Capitão Mar-vell, para diferenciar ao público. Anos depois, após ações judiciais, o nome Capitão Marvel saiu de vez da DC Comics), o herói em questão teve uma longa e turbulenta história editorial, surgindo em 1940, na Whiz Comics #2 e se tornando um fenômeno de vendas, chegando a rivalizar com o Superman. Depois de um processo da DC contra a Fawcett Publications, proprietária original do personagem de Bill Parker e C.C. Beck, o Vermelhão foi comprado pela casa da Liga da Justiça.

Shazam (nome que se originou da junção das iniciais de seis grandes seres míticos-históricos: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio) tornou-se parte do primeiro escalão de heróis da DC e foi um dos primeiros super-heróis a ter suas adaptações para o cinema e TV, entre os anos 40 e 70 – principalmente nos anos 70, quando ainda havia a febre dos famosos seriados de Batman & Robin (aquele clássico com Adam West) e do Incrível Hulk (o clássico com Lou Ferrigno como o Gigante Esmeralda). Após os filmes de Superman e Batman, Shazam era um dos mais cotados para ter seu próprio longa, mas que o projeto nunca havia avançado. Por agora, o tem num momento em que a DC/Warner vêm se encontrando em seu tom após atuações erráticas de Batman Vs Superman e Liga da Justiça, que acentuou ainda mais a comparação com o Universo Cinematográfico da Marvel. Shazam! confirma que a DC/Warner vem tentando e vem conseguido se encontrar com Mulher Maravilha e Aquaman  – ter sua própria identidade, sem ter que se forçar a imitar a Marvel, mas tendo características similares com estilo próprio, deixando um pouco de lado o tom predominantemente sombrio que foi sua marca registrada durante anos.

Dirigido por David F. Sandberg, seu enredo segue todos os preceitos de um típico filme de origem – de como o adolescente Billy Batson (Asher Angel), órfão que não parava em nenhuma casa de acolhimento, e que passa boa parte de sua vida à procura de mãe biológica; e simultaneamente, também mostra Thaddeus Silvana (Mark Strong), que sofre com o desprezo da família, sobretudo do pai. Os caminhos dos dois antagonistas se cruzam quando passam pelo Conselho da Eternidade, onde o mago Shazam (Djimon Hounsou) precisa de alguém de coração puro que o suceda e proteja a Terra dos monstros dos Sete Pecados Capitais.

Baseado na HQ Os Novos 52, o longa é cercado referências a clássicos dos Anos 80, Como Quero ser Grande e a outros heróis da DC, sem que obrigatoriamente tenha seu universo compartilhado. Zachary Levy foi a escolha certeira para ser o herói Shazam – ele transmite toda a normal donzelice de um garoto de 14 anos num corpo de adulto com uma naturalidade contagiante. A interação com seu irmão/amigo Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer) é o fio condutor que faz com que a projeção seja divertida e leve, dando um caráter bem família à mesma.

Finalmente, a DC/Warner vai se encontrando e consolidando a sua identidade de seu universo cinematográfico, satisfazendo tanto os fãs raiz de quadrinhos, quanto ao grande público. É possível sim, fazer ótimos roteiros com heróis que foram durante muito tempo considerados coadjuvantes de luxo. Com o devido planejamento e natural tempo, esses personagens conquistam novos fãs e reconquistam antigos adeptos. Assim todos saem ganhando – e não ficaremos apenas com um universo de filmes de super-heróis para contemplar e se contentar.

PS: Há duas cenas pós-créditos – portanto, não arrede o pé da sala após o filme acabar!

Nota da crítica: 4 Peixeiras de Luz (É Porreta!)

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