Crítica | Chorar de Rir

Comédia é para ser levada a sério? Todos que assistem ou leem comédias, a levam sério? Um ator que, faz todo mundo rir quando simplesmente dá um “A” em tom sério, é para ser lidado na gargalhada ou na seriedade como a situação exigiria? Alguns desses interessantes questionamentos são levantados em Chorar de Rir, do diretor Toniko Melo (de VIPs – Histórias reais de um mentiroso), estrelado por ele, mais uma vez Leandro Hassum (terceiro filme seguido protagonizado por ele em menos de um ano), que interpreta Nilo Perequê, comediante bem-sucedido em sua carreira na TV. Ele vinha feliz e bem consigo mesmo e família, até vencer o prêmio de Melhor Comediante – prêmio esse que não é levado a sério até pela própria organização do evento. Incomodado com toda essa situação, ele resolve tentar mudar de gênero de atuação, em enveredar para o drama.

Hassum já vem algum tempo passando alfinetadas nada sutis às críticas, seja a especializada, ou ao público. Caiu rapidamente nas graças do público, por meio de programas de TV como o Zorra Total e os Caras de Pau, e desde que lançou o primeiro filme da dupla Jorginho & Pedrão com Marcus Melhem, focou diretamente em produções cinematográficas, como a sequencia Até que a Sorte nos Separe e O Candidato Honesto, que conseguiram êxito de bilheteria. Por outro lado, não têm conquistado a crítica – que vem sendo implacável a seus filmes.

Uma das coisas que Hassum reclama constantemente é quando sua capacidade dramática é questionada. E nem deveria, pois um dos gêneros mais difíceis de atuar é a comédia, que nem todos conseguem o fazer minimamente bem. E isso ele o faz com uma facilidade estupenda, que muitos não possuem. O que o ele precisa se atentar é em relação aos roteiros de suas últimas produções. Tem sido fracos, com texto frágil e o enfoque ainda muito grande em piadas escatológicas quem atualmente não tem tido causado mais graça alguma. Ainda tem sua imagem ainda muito presa à TV – e fica difícil desvinculá-la visto que o formato de humor que ele ainda insiste em levar às telonas só funciona de fato em telas bem menores.

Chorar de Rir não é uma comédia escrachada, não leva às lágrimas por um riso convulsivo. Há alguns momentos engraçados, mas que seriam bem melhores senão fossem as graves deficiências do roteiro. O formato também ainda é muito televisivo e comparações com antigos esquetes de programas humorísticos são inevitáveis. O público que o acompanha ainda é o mesmo que o via na TV, que se satisfaz com o que assiste, mas não conquista o público mais ligado ao cinema, que o critica ferrenhamente – sem contar à implicância descabida pelo seu mais recente porte físico. Muitos disseram que ele perdeu a graça depois que emagreceu, como se o talento de fazer rir vinha exclusivamente de sua barriga. Não deve ser fácil.

O longa tem alguns momentos bons, como as participações de Caito Mainier (do Choque de Cultura) como o apresentador de programa de fofocas Fama News e de Sidney Magal como o excêntrico feiticeiro Papanô. Também a se destacar o núcleo da família de Nilo Perequê, interpretados por Natália Lage (a irmã Kitty), Jandira Ferrari (a mãe D. Julieta), Perfeito Fortuna (o pai Sr. Romeu) e Otávio Muller (o cunhado Jaimelito), além de Rafael Portugal, do Porta dos Fundos, interpretando o rival de Nilo, JP Santana. Apesar de todos os problemas, Chorar de Rir não te arrancará lágrimas e risadas, mas poderá te fazer questionar: por que não levar a comédia a sério?

Nota da crítica: 02 peixeiras de luz (É Meia-boca, visse…)

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