Crítica | Bohemian Rhapsody

Primeiramente, iniciemos essa leitura ao som da clássica canção-tema. Hit it!

 

 

Queen é uma das maiores bandas de Rock de todos tempos. Seguramente, ao lado de U2, Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles. Suas músicas são mundialmente conhecidas e sempre serão lembradas e reproduzidas em várias versões e ocasiões. A história de como a banda britânica construiu seu conjunto de obras e sua jornada, cheia de percalços e altos e baixos, é bem mostrada em Bohemian Rhapsody, de Brian Singer (X-Men e X-Men 2), que estreia nos cinemas nesta quinta (1º).

Bohemian não é apenas sobre a banda ou sobre o seu icônico vocalista, Farrokh Bulsara – ou Freddie Mercury (Remi Malek, mais do que idêntico). Se trata de ambos. O Queen não seria o que se tornou sem Freddie e vice-versa. A banda surgiu após o encontro de Freddie com o guitarrista Brian May (Gwilyn Lee) e o baterista Roger Taylor (Bem Hardy) após apresentação deles com a banda anterior, a Smile, e de terem perdido seu vocalista. Deu certinho. Das apresentações em pubs e casas de shows para a gravação do primeiro disco foi questão de tempo, cerca de quatro anos, entre 1970-74. Todo esse primeiro arco do filme se desenrolou de maneira acelerada, passando a sensação de que as coisas foram ocorrendo fluentemente muito bem – e não foi exatamente isso. Desde o início da banda, todo o processo de produção e composição das faixas dos álbuns ocorriam em meio a muita discussão, muitas vezes acaloradas, mas que no fim das contas, se acertavam. Isso só foi mostrado em dois momentos distintos, durante a composição de duas das faixas mais importantes do Queen – mas que são mais que suficientes e de forma alguma chega a comprometer o andamento do enredo.

O arco final é mais focado em Freddie, seu lado pessoal, e como sua relação com a banda se estremeceu. Aí entra o grande talento de Malek. Foi decisão mais que acertada de terem o escolhido (e não o Sacha Baron Cohen, que talvez não se encaixaria num personagem tão peculiar. E como o próprio Brian May declarou: ele não levou Freddie a sério). Malek é a incorporação de Mercury, tanto na caracterização, como na interpretação. Embora nas primeiras imagens de divulgação muitos tenham ficado receosos quanto a Malek ter ficado caricato, foi justo o contrário. Freddie era assim mesmo – uma figura excêntrica e extravagante, caricata. Mais do que isso, uma pessoa de coração puro, que tinha seus conflitos, suas dores, seus arrependimentos. E Malek o faz sem errar a mão. Mostra cada vez por que é considerado o novo “camaleão de hollywood”.

O elenco de Bohemian é mais um ponto alto do filme. Além da banda, muitas das pessoas que tiveram relação com sua trajetória estão muito bem representadas. Desde Mary Austin (Lucy Boynton), primeira namorada de Freddie, passando por Paul Prenter (Allen Leech), detestado pelos fãs da banda por quase ter arruinado a carreira do artista, o advogado/agente Jim “Miami” Beach (Tom Hollander) e o empresário da gravadora EMI, Ray Foster (Mike Myers), conhecido por duvidar da faixa-título e ter brigado com a banda. A relação dele com o Queen é conhecida na cultura pop por causa desta cena no filme Quanto Mais Idiota, Melhor. A ótima composição e sintonia do elenco contribuem ainda mais positivamente para o filme.

Ao contrário do que se imagina, Bohemian não é um musical. É um filme sobre música, família e amizades. Amizades leais e duradouras. De famílias e amigos que se desentendem, se xingam, mas que voltam, que se amam. A sequência final, a histórica reunião do Queen no show beneficente Live Aid, realizado no antigo estádio Wembley em 1985, após conturbado hiato, é a cereja do bolo. Reproduzir um show tão marcante como esse, na íntegra, não é tarefa fácil. E Singer, junto com o elenco e o montador Dexter Fletcher, conseguem este objetivo com êxito, nos dando a sensação e imersão de estarmos presentes naquela épica apresentação.  Afinal de contas, o show tem que continuar. Hey-oh!

 

Nota da crítica: 5 peixeiras de luz (É arretado de bom!) 

 

Confira o Trailer:

 

Confira a “faixa-bônus” Don’t Stop me Now, que é reproduzida durante os créditos finais:

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