Crítica | O Primeiro Homem

“É um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.”

 

Ao perguntar a crianças sobre qual profissão querem quando crescerem, uma das mais escolhidas é a de astronauta. “Quero ir ao Espaço!”, “Quero ver a Terra!”, ou “Quero ir a Marte!” são algumas das justificativas para a escolha de tão sonhado ofício. Porém, apesar de ser uma profissão bastante fantasiada e romantizada, mal sabem os pequenos do quão árduo, duro e doloroso é ser um astronauta. E todo esse processo de preparação de um deles para a missão mais importante da história é exibido detalhadamente em O Primeiro Homem (First Man), filme de Damien Chazelle (La La Land), baseado no livro de mesmo nome escrito por James R. Hansen, que estreia nos cinemas nesta quinta (18).

Em julho de 1969, o mundo parou para assistir aos primeiros humanos a chegar e tocar em piso extraterreno. Provavelmente, já deve ter ouvido ou lido a marcante frase transcrita logo acima dita por ele, Neil Armstrong, naquele instante. Para chegar nesse momento, foi preciso anos de árdua preparação física e psicológica. Armstrong (brilhantemente interpretado por Ryan Goslin), muito conhecido por aparecer sempre simpático e sorridente nas principais matérias relacionadas a seu feito, na projeção ele se revela de poucas palavras, poucas expressões, altamente reservado e introspectivo. E, principalmente, fortemente focado.

O astronauta Neil Armstrong, em evento da Agência Espacial Norte-Americana (NASA)

A força mental de Armstrong é um dos destaques do filme. Ele teve que lidar com muitas perdas e traumas, seja relacionado ao trabalho ou no âmbito pessoal. Para ser astronauta, é necessário um alto nível que concentração, calma e, sobretudo, resiliência. Se manter calmo é fundamental para a sobrevivência de uma missão e de toda uma equipe – nos anos 60, o nível de segurança em astronáutica era bem diferente dos dias atuais, numa época em que a corrida espacial entre EUA e União Soviética estava no auge. Também ter uma boa dose de sorte o ajudou muito – por pouco, Armstrong não ficou pelo caminho. Todo esse conjunto contribuiu para que confrontasse  os problemas que o treinamento exigiu.

E por falar em conjunto, o combinado montagem, fotografia e som de O Primeiro Homem faz com que o espectador se sinta bem inserido em boa parte das cenas. O montador Tom Cross e o diretor de fotografia Linus Sandgren criam uma verdadeira experiência sonora e visual. A fotografia usada por Sandgren, feita em tons quentes e retrô, dão a agradável aparência que o filme foi rodado em película, dando uma carga maior de autenticidade à projeção, já que se passa nos anos 60. Poucas vezes se consegue experimentar um pouco da sensação de fazer parte de uma equipe de astronautas – e nesse ponto, O Primeiro Homem acerta em cheio.

Essa sensação de imersão não se restringe apenas às cenas ligadas a Armstrong e sua jornada, mas também envolve sua esposa Janet (Claire Foy), que tenta manter sua família num ambiente estável, mesmo diante da constante e real possibilidade do marido nunca mais voltar para casa. Foy confirma em O Primeiro Homem o que já vem mostrando no seriado The Crown: é uma das mais melhores da nova geração de atrizes vindas da TV para o cinema, disparada. Passa diretamente ao espectador todo o medo, preocupação e angústia de Janet em se tornar viúva repentinamente. É uma forte aposta para indicação de Melhor Atriz nas próximas premiações.  

O Primeiro Homem entra para o seleto grupo de filmes que abordam o Espaço, combinando ficção científica e drama, ao lado de Gravidade (2013), Interestelar (2014), Perdido em Marte (2015) e Estrelas Além do Tempo (2016). É uma obra sobre sonho, fixação e desbravamento. Humaniza o ofício do astronauta, que é sim, para poucos. Responde claramente de o porque se foi à Lua uma única vez, e de porque todas aquelas teorias de conspiração de que a viagem foi uma farsa hollywoodiana são absurdas, infundadas e desrespeitosas. É sobre olhar o mundo sob uma nova perspectiva – e se certificar do quanto somos pequenos. Para quem gosta de astronomia e astronáutica, impossível não se emocionar e não se contentar.

 

Nota da Crítica: Cinco Peixeiras de Luz (É Arretado!)

 

Confira o Trailer:

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