Crítica | Alfa

Uma jornada solitária de amadurecimento e o fortalecimento de uma improvável relação homem-animal. São nesses motes que Alfa, filme que estreia nas salas de cinema nesta quinta (06), se fundamenta. Dirigido por Albert Hughes, é ambientado na Europa de 20 mil anos atrás, quando os humanos já se organizavam tribalmente e caçavam para garantir sua subsistência.

O enredo é centrado no jovem Keda (Kodi Smith-McPhee), filho de Tau (Jóhannes Haukur Jóhannesson), líder da tribo. Assim como os outros jovens de lá, ele passa por uma fase de afirmação e consolidação como caçador e futuro líder. Porém, o rapaz passa por seguidos insucessos em suas tarefas que atestariam sua capacidade de encabeçar o povo. E seu último vacilo acabou sendo crucial – após cair de um penhasco durante uma caçada e se perder do seu grupo, Keda precisa se virar sozinho num ambiente pouco favorável e encontrar o caminho de casa. Atacado por uma matilha, ele consegue ferir um dos lobos, mas não consegue matar o animal. O jovem cuida dele e os dois começam uma relação de amizade.

A projeção tem todos os elementos de um roteiro interessante e envolvente, contudo comete sérias falhas em sua composição. Inicialmente, há uma fragilidade dramática que afeta a profundidade da tensão instaurada entre pai e filho, impedindo uma melhor exploração nessa parte em potencial. O desenrolar da trama é articulado de uma maneira arrastada e muito inócua, que faz com que aquele espectador mais ávido por uma tensão natural que a mesma provocaria se desinteressasse, ou tão logo, ou tão depois.

Outro complicador de Alfa, é que comete o mesmo grave erro comum de filmes que tem a Pré-História como pano de fundo: uma série de anacronismos que não condizem com o período apresentado, que acaba prestando um indireto desserviço ao espectador. Projeções que usam o período pré-histórico em seu contexto precisam tratá-lo com mais cuidado e responsabilidade. Mesmo que o foco seja um elemento atemporal, características e informações essenciais à Pré-História (e à História idem) não devem ser totalmente ignoradas e/ou negligenciadas. Cinema não é apenas puro entretenimento – mesmo que o objetivo seja esse, o mesmo pode ser plenamente aliado à disseminação de informação histórica.

 

Nota da crítica: 2 peixeiras de luz (É Meia-Boca, visse!)

 

Confira o Trailer: 

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