Crítica | O Parque dos Sonhos

Quem nunca, enquanto criança, já brincou de parquinho com a turma da rua? Ou até mesmo, sonhou em ter o próprio parque de diversões, com os brinquedos e atrações mais legais – ou os atrativos “espetaculíssimos”? Partindo dessa premissa, a pequena e sonhadora June idealiza seu próprio parque, com os brinquedos mais legais e formidáveis que jamais foi visto. Decorando seu quarto com o seu Parque dos Sonhos (Wonder Park, 2019), com seus amigos Boomer, Greta, Steve, Peanut e os irmãos Gus e Cooper (na versão brasileira, dublados por Lucas Veloso e Rafael Infante), e com a ajuda de sua mãe, June era uma criança feliz assim como qualquer outra, colocando sua mente fértil a funcionar a todo vapor, não o deixando apenas limitado nas fronteiras abstratas imaginárias.

Porém, assim como qualquer grande arte articulada por crianças, o plano de June dá errado e sobra para os pais – afinal, não daria muito tentar montar um parque de diversões improvisado envolvendo os amigos do bairro, como um como uma inicial simples brincadeira. Mas não foi esse o ocorrido que faz June repensar o seu tão almejado parque. Um problema de saúde envolvendo sua mãe faz com que acabe abandonado seus brinquedos e a ideia de seu parque, para ajudar o pai enquanto a mãe se ausentar para se tratar. E é aí que entra toda a simbologia da animação.

Ao tentar voltar para casa, numa ansiedade repentina para cuidar do pai enquanto ia para uma colônia de férias, June acaba se deparando justo num parque de diversões – só que vazio, decadente, desorganizado, praticamente abandonado. Isso causado por uma nuvem escura que paira o local e desativou maquinário que fazia o parque funcionar, ter vida. Ao se deparar com aquela situação, June nota que é o mesmo parque dos sonhos, do qual planejou e projetou junto com sua mãe, e que tinha responsabilidade no surgimento da tal nuvem. daí toma para si as rédeas para alvar o parque.

Com gráficos de cores vibrantes, é uma animação que possui facilidade de empatia com o pequeno espectador. A começar pelo simpático e atrapalhado urso de pêlo azul Boomer, que sempre cai no sono de hibernação nos momentos cruciais e inadequados, aos irmãos castores Gus e Cooper, responsáveis pela manutenção do parque, e da contribuição das tentativas de solução não darem muito certo. Embora o roteiro tente passar alguma densidade emocional, ele acaba sendo leve e não ficando carregado ou arrastado. O Parque dos Sonhos cumpre o que propõe. Não se trata exatamente daquela mensagem de que “para ser adulto, não é preciso ‘matar’ a criança que há em você”. Se trata mais de “não tente ser adulto antes do tempo”.

Embora muitos desconheçam, para se tornar um exemplar adulto, é fundamental manter a alma e imaginação de criança ainda vivos. Claro, isso não é fácil nos dias atuais, ainda mais com a estrutura e momento em que a sociedade possui e passa. De todo o caso, a animação transmite do quão é fácil sepultar seus sonhos e imaginação, e o medo de se perder um ente muito querido contribui significativamente para tal processo.

Nota da crítica: 3 Peixeiras de Luz (É Massa!)

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