Crítica | Creed II

A sequência cinematográfica Rocky é sem dúvida a mais icônica franquia sobre boxe conhecida. Tendo como um destaques o não menos icônico Rocky Balboa (Sylvester Stallone), a nova trama envolvendo o lutador da Filadélfia voltou há quatro anos repaginada e focada em Adonis Creed (Michael B. Jordan) filho de Apollo Creed, amigo e concorrente de Balboa. Após grande sucesso de crítica de seu primeiro filme, estreia nos cinemas Creed II, nesta quinta (24).

Após vencer “Pretty” Ricky Conlan (Tony Bellew), Adonis mantém seu cinturão e segue sua trajetória no campeonato mundial de boxe com o apoio de Rocky. Em meio a isso, sua companheira Bianca (Thessa Thompson) está grávida, esperando sua primeira criança. Ou seja, todos os elementos para torná-lo feliz e satisfeito – mas nada parece animá-lo de fato. Creed passar a ser tomado por um sentimento de algo lhe falta. Assim como grande parte dos campeões, algo o inquieta, como se ainda deseja se provar algo, se desafiar. E esse sentimento se torna mais latente quando é desafiado Viktor Drago (Florian Munteanu), filho do ex-lutador russo Ivan Drago (Dolph Lundgren), mesmo lutador que tem fortíssima ligação com o passado de seu pai e Rocky.

Um dos maiores receios de continuações de sucessos inesperados e aclamados como Creed é se o segundo filme irá ao menos manter a mesma qualidade do primeiro. Rocky passou por esse processo – a qualidade do roteiro foi decaindo durante a sequência, e que obteve uma melhora no quarto, justo o da luta contra Ivan Drago. No caso de Creed II, a qualidade não cai, mas não supera o original. O que necessariamente, não chega a desagradar. Muitos elementos no roteiro são previsíveis, porém compreensíveis, e até necessários, em tramas com as características que o filme possui. É externado um amadurecimento e humanização de pessoas que se encontram na pele de Adonis, que passa se cobrar e se obrigar em assumir fardos e pesos dos quais ele não é deverasmente obrigado. E isso contribui e muito a criar um laço de empatia com o espectador.

É bem interessante acompanhar o maturação de um homem como Rocky. Stallone entrega um Balboa cascudo, velho de guerra, que convive com as consequências de seus erros e acertos do passado, e que espera que Adonis não o imite. Um homem que tem de lidar com a doença do qual possui, assim como com algumas feridas pouco cicatrizadas. Creed II também trabalha nesse aspecto – como cada um lida com seu passado e de como fazer para tentar reverter as consequências que o mesmo lhes causou. Tanto para Creed, Rocky e o próprio Ivan.

Dirigido por Steven Caple Jr. e de roteiro original escrito por Stallone, Creed II consegue evitar as costumeiras armadilhas que uma continuação de seu naipe costuma ter. Assim como seu protagonista, que não tem que carregar fardos e pesos ligados a seu pai, a projeção não precisa forçar em ser exatamente como seu clássico derivado.

Nota do crítico: 4 Peixeiras de Luz (É Arretado!)

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