Crítica | A Favorita

Anne Mosrley (Olivia Colman) é uma rainha debilitada e sem muito jeito para política. Ao seu lado, está Lady Sarah Churchill (Rachel Weisz) sua amiga de infância e dama de companhia que entende até demais do assunto. Essa é dinâmica do reinado de Anne e de seu braço direito. Mas apesar de estarem no meio de uma guerra, o dia-a-dia no palácio estava indo muito bem até a chegada de prima distante de Sarah, Abigail Masham (Emma Stone). Abigail está inicialmente em busca de um emprego no palácio, mas suas ambições vão muito além.

Enquanto Sarah está muito ocupada persuadindo Anne para decidir prosseguir com a guerra e conseguindo aliados para votar a seu favor no parlamento, Abigail com seu jeito jovial, doce e aparentemente despretensioso vai conquistando seu lugar no coração da rainha e se tornando pouco a pouco sua favorita. Entre provocações, chantagens e confrontos diretos e indiretos, cada uma utiliza de seus melhores e mais sedutores artifícios para alcançar seus objetivos, o de Abigail, é ascender socialmente, enquanto o de Sarah, permanecer no poder.

Olivia Colman entrega uma Anne Morsley cativante
Foto: Divulgação

O filme de Yorgos Lanthimos retrata um lado da realeza que todos especulam, mas de uma maneira que ninguém viu. Yorgos capricha nos detalhes para dimensionar toda a opulência da realeza britânica da época, ao passo em que a critica. A cenografia rica em louças e tapeçarias na locação principal com corredores sem fim e atalhos discretos e o figurino bufante com bordados e inúmeros acessórios enchem os olhos. São as mesmas valiosas tapeçarias que revestem as salas onde os nobres apostam corridas com patos de estimação e jogam tomates uns nos outros, e nas mesas com toalhas ricamente bordadas que empilham-se carcaças de animais. Os diálogos e atitudes são repletos de cinismo, sarcasmo e vulgaridades em vez da polidez habitual que se retrata a nobreza. É nisso onde reside o humor da trama, a vida de luxo e privilégios é apresentada ao espectador de uma maneira nada desejável frente aos seus anseios.

A trama em momento algum se afasta dos conflitos e flertes do trio principal, onde a trajetória e crescimento de cada uma envolve e surpreende. Apresentando uma rainha que tem a melhor das intenções para o seu país, mas nem sempre consegue carregar o peso da coroa, e cujas emoções variam da fúria ao deleite em poucos segundos, Olivia Colman consegue encantar o mais insensato dos espectadores. Rachel Weisz entrega uma duquesa  que exala força e poder até nos seus momentos mais frágeis. Mas a maior transformação em tela é de Abigail, impecavelmente incorporada por Emma Stone. Retratando objetivos tão concretos e válidos, chega um ponto do arco de Abigail que não dá pra evitar sentir uma certa empatia até em algumas de suas atitudes mais perversas.

A Favorita é um filme dos bastidores da nobreza, onde relacionamentos pessoais influenciam nas decisões políticas e históricas. Num contexto em que amores, amizades e lealdade podem sim ser verdade, mas nem sempre. A Favorita é um registro de um lado da História que todo mundo precisa conhecer.

Nota da crítica: 04 peixeiras de luz (É Porreta!)

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