Crítica | Máquinas Mortais

Num mundo pós-apocalíptico devastado por um grande holocausto nuclear conhecido como a Guerra dos 60 Minutos, os humanos agora sobrevivem por meio de um sistema de “darwinismo municipal”, em que as cidades são máquinas gigantes que precisam consumir umas às outras para sobreviver. Essas imensas máquinas ficam vagando pelos antigos territórios continentais, a procura de novas cidades móveis e novas peças, ou tecnologia antiga, para manter a alimentação de energia das cidades-máquina. Baseado no livro de Philip Reeve, Máquinas Mortais (The Mortal Enginees, 2018) é uma das estreias do cinema neste fim de semana.

A premissa é interessante – como a população mundial se comportaria e, por conseguinte, se reorganizaria numa provável devastação global. Vários outros filmes já abordaram tal mote, que ainda possui muito a ser explorado, apesar de ter muitos elementos já bem conhecidos. Mas não adianta ter tal mote se não souber como usá-lo de uma maneira correta, ou minimamente aceitável. A grandiosidade de como as cidades se montam e desmontam é interessante e a exibição de itens tecnológicos atuais como artefatos arqueológicos chegam despertam curiosidade. Entretanto, fica só nisso. O roteiro vai revelando logo de cara muitos furos que já deixam o espectador confuso.  Peter Jackson lamentavelmente repete o mesmo crasso erro de O Hobbit e a Batalha dos Cinco Exércitos – o roteiro se perde muito no desenrolar da trama, com a pouca relevância de muitos personagens que foram surgindo durante a projeção e pouco, ou quase nada, acrescentaram ao enredo.

Outros fatores ainda contribuem negativamente para o produto final de Máquinas Mortais: a total falta de empatia do elenco é um desses. O personagem Tom Natsworth (Robert Sheehan) é irritantemente ingênuo e chato, despertando certo sentimento de antipatia. Nem Hugo Weaving (o vilão Thaddeus Valentine) consegue se salvar, apesar de fazer o que está ao seu alcance. Hera Hilmar (a protagonista Hester Shaw) também não tem muito que fazer. Sua personagem possui um comportamento bem contraditório, ora se mostrando uma pessoa cascuda, de coração de pedra, que estaria determinada a executar sua vingança, ora se mostrando uma pessoa piedosa e altamente sensível que se viu completamente envolta de compaixão. Se tal comportamento já se encontrara no livro, Jackson, as roteiristas Fran Walsh e Philippa Boyens, e o diretor Christian Rivers não souberam transpassar para o filme.

Se já não bastassem os sérios problemas citados, o clichê das tomadas durante as cenas dramáticas de morte em batalhas e confrontos, e os fracos diálogos pioram o resultado final. Mesmo com um bom visual e uma asserção legal, Máquinas Mortais é complicadamente enfadonha, um desperdício total. Uma lástima, visto que detinha um cativante potencial.

 

Nota da Crítica: 2 Peixeiras de Luz (É meia-boca…)

 

Confira o trailer:

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