Crítica | Homem-Aranha no Aranhaverso

Um jovem do Brooklyn, chamado Miles Morales, é um adolescente como tantos outros. Possui suas incertezas, gosta de curtir hobbies, como grafitar, e possui ídolos, pessoas como referências das quais se identifica – como o Homem-Aranha, o amigo da vizinhança. Porém, sua vida começa a mudar a partir do momento em que ele é picado por uma espécie peculiar aracnídea. E depois dessa picada, ele passa a adquirir os mesmos poderes de seu herói preferido. Ele então passa a conter e lidar com sentimentos, conflitos e situações por ser um novo “Homem-Aranha”.

Homem-Aranha no Aranhaverso poderia se resumir nessa simples sinopse transcrita acima, mas não é bem assim. O roteiro envolve elementos e abordagens que poderiam causar estranhamento e até mesmo desdém para o grande público, sobretudo o mais leigo. O filme aborda o conceito do multiverso (quando universos paralelos coexistem, e a partir disso, há probabilidade de existir várias versões de um mesmo indivíduo em realidades diferentes). Esse conceito da física é muito explorado pelas HQ’s, mas no cinema raramente é arriscado – e quando acontece, normalmente não dá certo. Em Aranhaverso, felizmente, o conceito funciona bem dentro da trama.

Por causa desse multiverso, várias versões do Homem-Aranha acabam surgindo. Entre essas, o Porco-Aranha, a SP//dr – a versão biomecânica e asiática do Aracnídeo, a Gwen-Spider e o Homem-Aranha Noir, a versão dos anos 30. Isso faz de Aranhaverso um fan service pleno. A característica contribui para que a animação contenha um elemento vital que está faltando em muitos filmes recentes de super-heróis: o mais puro divertimento.

Os melhores filmes do gênero, assim como os piores, assumem e carregam um fardo de auto-importância. As tramas costumam se ater demasiadamente em clichês como a salvação do futuro do planeta e/ou da humanidade, a velha dualidade do bem e do mal, conflitos internos que cada herói detém, etc. E então, um filme que deveria entreter, acaba não funcionando direito. Aranhaverso se destaca justo por não pesar tanto nesses clichês e entregar aquilo que os fãs e o público desejam ver num filme de super-heróis.

O ponto alto do longa são os gráficos. Aranhaverso lança um novo estilo que muito se assemelha aos quadrinhos, permitindo uma imersão à projeção de como se estivéssemos numa revista animada. Com traços únicos e cores bem vivas e vibrantes, a originalidade gráfica da animação a alçou na posição de se tornar uma das melhores adaptações dos quadrinhos para o cinema. Tanto, que a animação é uma das fortes candidatas a quebrar a hegemonia Disney/Pixar nas premiações, entre elas, o Oscar, largando na frente após conquistar o Globo de Ouro de Melhor Animação. Homem-Aranha no Aranhaverso já conseguiu uma grande proeza: como num colisor de partículas para estreitar o multiverso, literalmente se transferiu do universo da Nona Arte para o da Sétima.

Em tempo: há duas cenas pós-créditos. E de uma delas, o fã raiz vai gostar. Portanto, não arrede o pé da sala!

 

Nota do Crítico: 4 Peixeiras de Luz (É Porreta!)

 

Confira o trailer:

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