Crítica | Bumblebee

Franquia das mais populares e longevas deste século, Transformers experimentou os sabores do agrado e do desagrado ao longo de sua outrora pentalogia. Rapidamente conquistou um público cativo, mesclando os fãs do clássico desenho dos anos 80 com uma nova geração, que acompanhou as animações mais recentes como Beast Wars. Se por um lado, conquistou uma grande empatia com os gigantes de Cybertron, seja Autobots ou Decepticons, por outro causaram uma forte estranheza devido à pobreza dos roteiros ao longo de sua sequência. É tanto que qualquer fã de Transformers, sobretudo o mais raiz, considera o primeiro filme de 2007 como melhor até hoje. A franquia estava precisando de uma sacolejada, de uma mudança de rumo, para não ser apenas uma franquia caça-níquel. E essa grata mudança veio a partir do prequel Bumblebee, que estreia nos cinemas brasileiros neste natal (25).

A primeira mudança foi na direção do longa. Sai Michael Bay, que ficou a produção, e entra Travis Knight. Fã declarado de Transformers, Knight traz à tona muitos dos elementos baseados no desenho clássico, como a aparência dos robôs e um ritmo menos alucinante na narrativa. É inevitável a presença de fan services no filme –  a começar pela a que mais agradou, que foi a origem de Bee como um fusca amarelo. Mesmo que hoje seja bem associado ao Camaro, muito se criticou que Bee nunca apareceu camuflado como o fusquinha, que era o que melhor se encaixava com a sua personalidade.

Outra mudança interessante foi que o sexto filme da franquia não seria uma continuação a partir de O Último Cavaleiro, mas sim um prólogo, se passando 20 anos antes do primeiro Transformers. O enredo se passa em 1987, quando Bee foi enviado por Optimus Prime à Terra para evitar que os Decepticons saibam do paradeiro dele Prime e de outros autobots. Camuflado e desativado num ferro-velho numa pequena cidade praiana californiana, Bumblebee é encontrado e adotado pela jovem Charlie Watson (Hailee Steinfeld), às vésperas de completar 18 anos. Só quando Bee é reativado, Charlie enfim nota que a criatura que se revelou em sua frente é bem mais do que um simples robô/automóvel.

A interação entre Steinfeld e o soldado Autobot é envolvente e sustenta o filme, embora que em muitos momentos, a trama se mostre arrastada. Steinfeld conduz bem a pós-adolescente Charlie, passando ao espectador o que grande parte de meninas costumavam e ainda costumam conviver nessa fase pré-adulta, como o desejo de ter uma maior autonomia em relação aos responsáveis e de como lidar com traumas e perdas de entes queridos. O roteiro muito foca em Charlie, Bumblebee e na relação de ambos e seu amadurecimento, perpassando sinceridade, doçura e até mesmo humanidade ao espectador.

Knight acerta em adotar “o menos é mais” – tornou o filme menos explosivo, menos barulhento e menos alucinado. Mesmo com a quantidade de lutas menor, as que há não estão aquém do que os fãs se acostumaram. Bumblebee injeta um novo fôlego na franquia de robôs ao se dedicar a tudo aquilo que Michael Bay ignorava, e que os fãs da clássica série animada basicamente queriam o tempo todo: o cenário dos anos 80, a aparência dos robôs, as transformações mais frequentes. Adicionando à ótima trilha sonora, repleta de sucessos oitentistas, Bumblebee já se posiciona como um dos melhores longas da agora hexalogia Transformers.

 

Nota da Crítica: 4 Peixeiras de Luz (É Porreta, visse!)

 

Confira o Trailer:

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