Cinemas Multiplex no Recife, 20 anos

O Coroa é Pop

Durante a década de 1990, chegou ao Brasil um novo formato de sala de cinemas, vindo da América do Norte – o formato Multiplex, onde em vez de ter de uma a três salas no mesmo lugar, passou a ter o dobro, com menor capacidade de espectadores, mas com melhor conforto e qualidade de som e imagem, comparando com as antigas salas de rua. As duas maiores redes, a  United Cinemas International Ltda (UCI) e a Rede Cinemark, chegaram para ficar e logo conquistaram o público brasileiro, começando pelo eixo Rio-São Paulo e se espalhando pelo território nacional.

Saem os tradicionais e grandes cinemas localizados nas ruas dos centros urbanos, chegam as menores salas instaladas nos interiores de shopping centers. Nesse cenário pré-Multiplex, havia os Art Guararapes 1 e 2, localizados dentro do Shopping Guararapes, que anos mais tarde foram transformados em teatro. Na Região Metropolitana do Recife, o conceito de cinema dentro de centros comerciais começou por lá. Trazendo uma quantidade muito maior de salas concentradas num espaço fechado, o formato Multiplex veio para resolver o problema da falta de salas para a grande demanda de filmes que estava ocorrendo naquela época. Outro problema sério era a falta de segurança nos arredores dos cinemas de rua, que espantava o público, sobretudo das sessões noturnas. Com um imenso prejuízo e o assédio cada vez maior da especulação imobiliária, muitas salas deixaram de existir. No exemplo recifense, num mesmo ano fecharam os cinemas Moderno e Veneza, restando apenas o Cineteatro do Parque, o Cinema da Fundação (que não exibem filmes do circuito comercial) e o Cinema São Luiz, que por muito pouco não foi fechado.

Esse ano era o de 1998, quando houve a última grande bilheteria em cinemas de rua antes da chegada dos Multiplex na capital pernambucana. Foi com a exibição de Titanic, o blockbuster de James Cameron, que permitiu uma sobrevida ao São Luiz, aos Cines Recife 1, 2 e 3, e ao Veneza, que se segurou até encerrar suas atividades em 29 de setembro daquele ano. O formato Multiplex da rede UCI chegou em Recife em maio daquele ano, trazendo filmes como Impacto Profundo e Cidade dos Anjos, provocando a migração do grande público para as salas de interior dos shoppings, o que acarretou no fechamento das salas do centro da cidade. Oferecendo melhor estrutura, comodidade e uma bombonière que encantava as crianças daquela época, a UCI chegou com 18 salas logo de cara – dez no Shopping Center Recife e oito no Shopping Tacaruna. Foi questão de tempo para os cinemas antigos sucumbirem, infelizmente.

As salas UCI praticamente reinaram absolutas até dezembro de 2003, quando o Grupo Severiano Ribeiro inaugurou o seu multiplex no Shopping Boa Vista, com seis salas, que foram nomeadas com os nomes dos históricos cinemas de rua recifenses que marcaram suas épocas – Cine Boa Vista, Albatroz, Cine Torre, Veneza, Moderno e Trianon. Posteriormente, outras salas foram inauguradas – Cines Rosa e Silva, Salas Cinepólis, Cinermark, entre outros. Em 2008, a UCI inaugurou outros novos cinemas no Shopping Plaza, com cinco salas, e anos mais tarde, mais quatro salas no Shopping Recife e mais duas no Tacaruna, cada um com salas especiais com telas gigantes (IMAX e X-Plus). Com o passar do tempo, Recife conseguiu manter sua característica de ter muitas salas de cinemas, mas com o formato atual.

Ressaltando que não se deve relacionar unicamente ao formato Multiplex a contribuição pela quase extinção dos cinemas de rua. Muitos espaços já estavam condenados já na primeira metade da década de 90, quando deram lugar a outros empreendimentos ou quando passaram a exibir filmes adultos. O tempo muda, as coisas mudam – faz parte do ciclo natural. Apesar das muitas vantagens oferecidas, como cartões de fidelidade para adquirir descontos e a obtenção de brindes, o cinema de shopping ainda é um entretenimento caro. E isso dificulta a manutenção de uma cultura e hábito de se frequentar as salas de projeção, algo que o recifense sempre teve. Mesmo assim, não se sinta receoso – assim que puder ou quiser, vá ao cinema!

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