Recife – seus cinemas e seus cenários

O Coroa é Pop

 

É sabido por muitos do enorme protagonismo cultural que Recife possui. Seu Carnaval, passando pelo Frevo, maracatu e demais manifestações, até ser incluso em diferentes épocas no calendário de shows nacionais e internacionais. Sem fazer esforço algum, Recife lança para o Brasil e para o mundo diversas produções e produtores em diversas áreas, reforçando ainda mais do quanto a terra dos altos coqueiros é um local diferenciado e abençoado.

Contudo, grande maioria da população pernambucana desconhece do protagonismo de seu estado num importante setor: o cinema, tanto em produção, como em exibição. Durante décadas, Recife teve diversas salas de exibição espalhadas por seus bairros, tanto no centro, como nas áreas periféricas. As primeiras salas de cinema inauguradas em foram o Pathé e o Royal, inauguradas em 1909 e 1910, respectivamente. Ambos funcionaram na Rua Nova, se rivalizavam e disputaram o mesmo público até o final da década, quando o Pathé fechou.

Na mesma época, outras salas foram inauguradas, como o Helvética (localizado na Rua da Imperatriz), o Ideal (localizado no Pátio do Terço), o Cine Moderno (localizado na Praça Joaquim Nabuco, onde hoje é uma loja de eletrodomésticos) e o Cineteatro do Parque (localizado na Rua do Hospício, atualmente em reforma e que talvez retorne em 2019). Só esses exemplos citados já demonstram claramente da grande importância histórica que Recife possui para a história do cinema nacional. Na segunda metade do século XX, outros cinemas foram iniciaram suas atividades. Entre esses, o Trianon, o Art Palácio, o Veneza e o icônico Cinema São Luiz, o último ainda em plena atividade.

Pernambuco também é um importante protagonista em produção cinematográfica. Desde produção voltada para o público local no interior, com a exibições de filmes nas famosas matinées, até grandes produções voltadas para o mercado internacional e para a competição de grandes festivais. Nos últimos vinte e dois anos, conseguiu notoriedade nacional e internacional com filmes como Baile Perfumado; Árido Movie; Amarelo Manga; Lisbela e o Prisioneiro; Olhos Azuis; A História da Eternidade; Febre do Rato; Recife Frio; O Som ao Redor; Aquarius; Tatuagem; Amor, Plástico e Barulho, dentre outros. Filmes que sempre tiveram espaço e destaques em seus festivais, como o CinePE (tradicionalmente realizado no São Luiz) e o Festival de Cinema de Triunfo, um dos mais importantes do Nordeste. Soma-se a esse conjunto, de que um dos principais cursos de graduação em audiovisual se dispõe na UFPE. Tudo isso contribui para que o estado seja um maiores pólos em audiovisual do território nacional.

Há algumas semanas, a Prefeitura do Recife realizou o passeio turístico Cinemas e Cenários do Recife, que visitou os locais históricos dos antigos cinemas de rua do centro da cidade e os locais que serviram de cenário para filmes pernambucanos. Esse passeio faz parte do projeto Olha! Recife, programa de Sensibilização Turística da Secretaria de Turismo e Lazer do Recife, que consiste em levar à sociedade uma nova oportunidade de obter um novo olhar sobre a cidade. Nesse passeio, tanto moradores locais e turistas conheceram um pouco da história do audiovisual recifense, ainda muito rica e com muito ainda a oferecer. Tive a oportunidade e o contentamento de trabalhar como guia de turismo nessa atividade, contribuindo um pouco para a divulgação da história contemporânea local. Que o cinema pernambucano siga imortal!

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