São Luiz – 66 Anos Encantando Multidões

O Coroa é Pop

 

Recentemente, o último cinema de rua ainda em plena atividade no Recife aniversariou: o Cinema São Luiz. Inaugurado em 6 de setembro de 1952 e localizado às margens do Rio Capibaribe e na cabeceira da Ponte Duarte Coelho, tornou-se um dos mais emblemáticos cinemas do Recife, prezando por essa arte em sua concepção clássica, em formato de cine-teatro. Atualmente, é o que possui a mais rica concepção artística e arquitetônica do Recife e um dos últimos cinemas de rua do país.

Revitalizado e tombado como monumento histórico em 2008, chegou a ser ameaçado a ter o mesmo destino de outras salas importantes do circuito cinematográfico pernambucano: ser fechado e transformado numa loja de alguma grande rede de eletrodomésticos ou num templo de igreja evangélica – e ainda bem, isso não ocorreu. Durante todo esse tempo, o São Luiz atraiu dezenas de milhares de cinéfilos à sua sala, desde os mais ávidos por blockbusters do momento, até os mais apaixonados por filmes do circuito alternativo.

Ele é a maior representação viva de uma época de ouro do cinema pernambucano, onde houve grandes matinés e pré-estreias, com tapete vermelho inclusive. Em seu auge, o São Luiz era o que havia de mais luxuoso e moderno, tanto em projeção, sistema de som, conforto e decoração. As pinturas e lustres nas paredes do salão de entrada e na sala de projeção, são do artista plástico pernambucano Lula Cardoso Ayres. É tradicional local de realização do Cine PE, o Festival de Cinema de Pernambuco. Vários filmes pernambucanos foram lançados e fizeram história, como Baile Perfumado, lançado em 1996.

Local de exibição de grandes sucessos de bilheterias nacionais e internacionais, o São Luiz faz parte da memória afetiva do recifense. Desde os filmes dos Trapalhões até o inesquecível período em que Titanic esteve em cartaz, era bem comum se deparar com as filas quilométricas que se formavam ao redor da quadra do cinema, se estendendo pela Avenida Conde da Boa Vista. Grupos de amigos e famílias se agrupando nas mesmas filas, regados a muito lanche comprado nas Lojas Mesbla (quando ainda havia) e Americanas, e muita pipoca salgada e doce – daquela mesmo, feita em carrinhos de pipoqueiros. Quem passou a infância e adolescência indo ao “São Luí” sabe bem o quão gostosa era essa época – e obtém um grande contentamento ao vê-lo ainda em plena atividade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *