O Coroa é Pop | Mulan: a heroína que desafiou tradições

“A Flor que desabrocha na adversidade é a mais rara e bela de todas.”
 

Há mais de oitenta anos, os Estúdios Disney contam histórias de personagens femininas que marcaram diversas gerações, uma após outra. Mais conhecidas como as “Princesas da Disney”, inspiraram os sonhos e fantasias de milhões de crianças ao redor do Mundo, desde Branca de Neve até Elza, de Frozen. Mas dentre elas, uma sem dúvida, marcou época e uma geração em especial, por ser estar à frente de seu tempo – Mulan. 

Dirigido por Tony Bancrof e Barry Cook, Mulan foi lançado nos cinemas há 20 anos. Foi a primeira – e até agora, única – protagonista asiática das animações Disney. Foi inspirada num conto folclórico chinês, A Fábula de Mulan, mui provavelmente datada do século V, durante a Dinastia Wei do Norte, segundo registros mais antigos. Narra a jornada de uma jovem que, sem o conhecimento da família, se disfarça de homem e se alista no exército no lugar do seu pai, que estava doente. Porém, a história original conta que Mulan viveu mais de dez anos em meio a batalhas, sendo inclusive nomeada general.  

Hua Mulan (Fa Mulan, como se pronuncia em cantonês) foi a pioneira a romper com o padrão que havia nas protagonistas da Disney – a da menina frágil e indefesa, que dependia de algum salvador. Também passa a lidar com outras situações: diversas pressões e preconceitos sociais que as mulheres ainda hoje sofrem, como a obrigação unilateral do casamento, cerceamento do direito de escolha e o machismo institucionalizado. Itens esses, que em 1998 eram apenas debatidos em nichos acadêmicos muito fechados e jamais em âmbito amplo e acessível. E uma animação de produção norte-americana, de um império midiático cinematográfico, consegue abordar temas que ainda hoje são encarados por muitos hipocritamente como tabu, de forma acessível e leve. Chega até ser surpreendente de o quanto o filme ainda está à frente, devido ao debate ainda retrógrado acerca da posição da mulher na sociedade. Detalhe: A Fábula de Mulan é muito forte e venerada no imaginário coletivo chinês, numa sociedade conhecida por sua cultura demasiadamente misógina, servindo até de inspiração para os grupos militares por gerações. 

Outro ponto alto de Mulan é o personagem Mushu, o guardião da Família Fa. Mushu é a representação de outra caracterização da cultura de lá – os dragões. Inicialmente, ele não seria o “dragão-anão” como foi composto, pois os produtores o queriam em tamanho gigante, mas que poderia não combinar com o personagem. Daí após novas pesquisas, viram que os dragões poderiam haver em vários tamanhos, e daí o comporam em miniatura, como é apresentado na projeção. Na versão original, ele é dublado nada mais, nada menos por Eddie Murphy (na versão brasileira, ele foi dublado por Mário Jorge Andrade, que costuma emprestar sua voz ao astro norte-americano). No elenco original de dubladores, há nomes atualmente bem conhecidos, como Ming-Na Wen (a agente Melinda Mey, de Marvel’s Agents of Shield), Lucy Liu (As Panteras, Elementary) e Sandra Oh (a Cristina Yang, deGrey’s Anatomy). 

Das novas versões live-action dos clássicos Disney, Mulan é um dos poucos que espero avidamente por seu lançamento. Foi um dos filmes que mais assisti durante as minhas locações de Fim-de-Semana, tanto na época do VHS, como do DVD. Vez por outra, quando passa na TV por assinatura, dou sempre uma conferida em uma das melhores animações da Disney dos últimos trinta anos. Minha admiração por Mulan é permanente – um exemplo daquilo que não pode se deixar esmorecer diante dos obstáculos, dos confrontos, das pressões externas e internas, de se manter perseverante. Afinal, uma mulher como ela, não se encontra em toda uma dinastia. 

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