Crítica | O Homem Que Nós Amamos

Por Rayane Santos

O filme ‘O Homem que Nós Amamos’  trata-se de uma refilmagem de um filme homônimo lançado no ano de 1971, sendo ele uma adaptação de um livro de mesmo nome publicado cinco anos antes.

A trama se desenvolve em Virgínia, após três anos do início da Guerra Civil, quando o cabo da União, John McBurney (interpretado por Colin Farrell) é ferido em combate e encontrado pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva até o internato de mulheres, lugar onde mora, gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman).

Dirigido por Sofia Coppola, o enredo sofreu algumas adaptações, mas sem perder realmente a essência e o assunto central; percebendo-se até, cenas bem semelhantes com as da primeira versão da obra para as telas. As adaptações refletiram nas histórias das personagens e no desenrolar da trama, a qual se tornou um pouco mais leve e os diálogos mais concisos. Nesta versão, escravos, um suposto irmão de Martha, insinuações de abusos sexuais – o que envolvia não só imagens ou diálogos, mas também uma história por trás disso – e um beijo do personagem principal com uma garota de 13 anos, foram removidas, dando lugar a uma narrativa direta e ao mesmo tempo sutil.

Com a fotografia de Phillipe Le Sourd, valorizou-se mais a luz natural, o que certas vezes colocava o interior do casarão mergulhado em sombras. Não apenas a luminosidade das cenas, como também alguns detalhes externos (como sua arquitetura e planejamento, principalmente o jardim) e detalhes internos da casa esbanjam características que são encontrados na literatura gótica, o que, por vezes, dá aspecto um tanto sombrio. Talvez devido a origem da história pertencer a este gênero, mais especificamente no seu subgênero (gótico sulista), que apresenta personagens falhos, cenários decaídos, situações grotescas ou até mesmo eventos que possam envolver violência, entre outros.

A diretora acerta ao investir no natural tanto na imagem quanto no som, tirando os excessos vistos no filme de 1971. Cenas elaboradas em bons ângulos e o som discreto os complementa algumas vezes. Deste modo, a sensação é de reviver um pouco o ano de 1864 com personagens não mais caricatas. A mudança não só ocorreu nas mulheres, como também no homem, que surgiu mais contido. A maneira como os personagens se relacionam, seus atos e emoções consequentes se interligam e, juntos, montam o final.

O filme atinge sua finalidade e a trama não exige tanta profundidade como a diretora (e também roteirista) Sofia Coppola é conhecida por apresentar em seus trabalhos, no entanto o toque da diretora foi o suficiente para limpar os preconceitos do filme anterior. Ainda que tenha perdido uma parte da narrativa e, consequentemente, pequena porcentagem das histórias de alguns personagens. Contudo, deve-se reconhecer que Sofia fez um bom trabalho nesse remake.

Data de lançamento: 10 de agosto de 2017

Nota do Crítico: 3 Peixeiras de Luz (Bom)

Sinopse:

Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).

Trailer:

Um comentário em “Crítica | O Homem Que Nós Amamos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *