As facetas da Maravilha através dos tempos

A princesa amazona viveu sua primeira aventura na revista All Star Comics #8 em dezembro de 1941. Ela funcionou como um catalisador e uma identificação para as mulheres da época: enquanto os homens lutavam na linha de frente da guerra, elas é que tiveram de arregaçar as mangas para trabalhar e sustentar suas casas. A Mulher Maravilha representou nas HQs o contexto nacionalista, somado a emancipação feminina por causa da guerra. A essência de sua personalidade não é tão diferente do que conhecemos hoje. Era uma mulher forte, poderosa, bonita – e, de quebra, para reforçar o patriotismo da época, estava vestida com as cores da bandeira dos EUA, com uma águia careca, o símbolo do país, estampada no peito.

Seu criador, William Moulton Morston tem uma história tão interessante quanto a sua: psicólogo, ele ajudou a criar o detector de mentiras, defendia a igualdade de gêneros e era liberal em relação ao sexo – inclusive, vivia um relacionamento poliamoroso com sua esposa, Elizabeth, e uma outra mulher chamada Olive Byrne, que vivia usando  pulseiras metálicas (tudo isso nos super conservadores anos 40).

William fazia parte do time que originou a DC Comics e portanto foi convidado para criar seu próprio super herói. Por pressão da esposa, acabou inventando uma heroína mulher, inspirando-se em Elizabeth e em Olive. O detector de mentiras, então, virou o “laço da verdade”, os braceletes de Olive se tornaram os protetores de Diana, e a força de Elizabeth foi herdada pela amazona.

Nas histórias ela é filha da rainha Hipólita, da ilha de Temíscira, onde só moravam mulheres. Sua origem é um pouco controversa, mas na original dos anos 40  ela foi esculpida do barro pela mãe, e abençoada por todos os deuses do Olimpo, de onde vieram seus poderes “Bela como Afrodite, sábia como Atena, forte como Hércules, e rápida como Hermes”.

Já adulta e vivendo como a princesa da amazonas na ilha paradisíaca, eis que num belo dia, o avião de Steve Trevor, capitão do exército dos EUA, cai na ilha. A Rainha Hipólita decretou que a amazona que vencesse diversas provas, teria a incumbência de levar Steve de volta aos Estados Unidos – e se tornaria uma campeã em nome das amazonas em território americano. Proibida de participar por sua mãe, Diana se disfarçou e acabou ganhando o campeonato.

Ela então adotou a identidade secreta de Diana Prince, uma enfermeira da Força Aérea Americana.  Na história publicada em Sensation Comics #1, janeiro de 1942, (foto 2 da galeria)  havia uma enfermeira de nome Diana Prince, a qual a Mulher-Maravilha ajudou. Esta Diana aceitou deixar que a super-heroína, que desejava ficar do lado do paciente Steve Trevor, assumisse sua identidade enquanto ela partiu para junto de seu namorado que estava na América do Sul.  Claro que ela se apaixonou por Steve Trevor. Como ninguém conseguiu fazer com ela saísse daqui, Diana ficou responsável por propagar a paz, sendo a defensora oficial da verdade e da vida na luta entre os mortais e os deuses. Nossa heroína também é conhecida como o lado mais equilibrado da santíssima trindade da DC Comics: Super Homem, Batman e Mulher Maravilha.

Vale ressaltar que em 2011, a DC relançou toda a história da heroína – reescrevendo-a como uma semideusa, filha de Hipólita e de Zeus, que havia sido escondida na ilha das amazonas para protegê-la da ira de Hera, esposa do chefe do Olimpo.

Muito embora seja a principal representante dos primórdios do feminismo, a Mulher-Maravilha não foi problematizadora logo de cara: no início, ela mais parecia uma dona de casa comportada, com uma saia na altura dos joelhos. Em uma série precursora da Liga da Justiça chamada “Sociedade da Justiça da América”, Diana foi contratada como (pasmem) secretária do grupo. De lá para cá, muita coisa mudou na vida da heroína: os uniformes, o cabelo, as aventuras, os poderes e até o corpo – e todas essas mudanças têm a ver com as novas ondas culturais, estéticas e intelectuais da vida real, nessas sete décadas que separam sua primeira aparição numa HQ, até o lançamento do seu primeiro filme solo.

 

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